Contas de início do ano: como se organizar para pagar todas

Sem exagero, a gente pode concordar que janeiro é o pior mês para nossa organização financeira. É o período em que chega a fatura dos excessos do fim de ano e também quando começam a vencer despesas e impostos inadiáveis, como compra de material escolar e IPTU. Salve-se quem puder das contas de janeiro.

Dramas à parte, é importante planejar para saber o que dá para ser parcelado, o que precisa ser pago à vista e quais contas vencem apenas nos próximos meses. Para começar o ano com tranquilidade, é importante deixar as contas de janeiro encaminhadas ou pagas, porque ninguém merece começar 2022 com dívidas.

Preparei aqui um pequeno guia para ajudar você a saldar esses débitos. Fica comigo até o final do artigo.

## 13°: você guardou alguma parte dele?

Como já falei por aqui, o 13° salário não é um bônus de final de ano, mas remuneração pelas semanas a mais trabalhadas nos meses com mais dias. Como no Brasil o regime de emprego formal prevê remuneração mensal, e não semanal, o 13° no final do ano compensa o que já foi trabalhado.

Portanto, o uso desse recurso deve ser planejado como parte do orçamento. Se você conseguiu guardar um restinho do seu abono anual, pode fazer bom uso dele pagando as contas de janeiro. Caso contrário, talvez sejam necessárias soluções mais criativas.

Agora vamos ver que contas são essas.

As temidas contas de janeiro

Cartão de crédito

Não é querendo puxar a sardinha para minha brasa, mas é essa conta que pode pegar muita gente pelo pé. O final do ano é um período em que, naturalmente, extrapolamos um pouco nossa média de consumo — esquecendo que, no mês seguinte, vem o vencimento dessa fatura.

Minha dica é que você faça um esforço para quitar integralmente a fatura, mesmo que a maior parte do seu orçamento seja destinada a isso. Dessa forma, seu limite é liberado e os gastos dos meses seguintes podem ser acomodados sem maiores problemas.

Se não for possível, evite atrasos fazendo um pagamento mínimo e parcelando o saldo restante. Dessa maneira, você evitará o pagamento de multa, apesar de arcar com juros e IOF. Caso você não pague até o vencimento, além do custo maior, você ainda precisará renegociar mais à frente e pode ter seu cartão bloqueado para novas compras.

IPTU e IPVA

Ninguém escapa dessa dupla. Mas aqui, há margem para tomar uma decisão mais estratégica: dividir o pagamento ou pagar em cota única com desconto.

Para pagar o IPTU em São Paulo (SP), por exemplo, o contribuinte pode escolher entre um desconto de 3% no valor total pagando à vista ou dividir a fatura em 10 vezes — de fevereiro a novembro. O IPVA, por sua vez, pode ter descontos de 9% para pagamentos em cota única no mês de janeiro ou parcelamento em 5 vezes.

Já em Florianópolis (SC), o pagamento em cota única até 5 de janeiro dava direito a um abatimento de até 20% na conta. Já o IPVA não terá descontos para pagamentos à vista.

São só dois exemplos. É importante que você confira quais são as regras no seu município e estado antes de tomar uma decisão.

O pagamento com desconto é sempre mais vantajoso, desde que você tenha uma folga no orçamento — aquele “restinho” do 13°. No entanto, se o desconto for muito sutil ou simplesmente não existir, é mais sensato dividir o pagamento — já que, no fim das contas, não haverá ônus nem bônus.

Já o parcelamento pode ser uma boa alternativa para quem não quer mexer na reserva emergencial para quitar os tributos à vista ou simplesmente não pode pagar tudo de uma vez só.

Seguros

O seguro pode ser da residência, de vida ou de um veículo, por exemplo. Ele tem um valor total anual, que nem sempre será no início do ano, mas que pode ser negociado com desconto, se for pago à vista.

Imposto de Renda

O imposto de renda deve ser declarado por pessoas com renda anual maior que R$ 28.559,70 entre os meses de março e abril. O IR deverá ser pago mesmo que não seja descontado do salário e pode ser parcelado em até oito vezes.

Material escolar e matrículas

Quem tem filhos, precisa lidar com mais uma razão para se preocupar com as contas de janeiro: a compra de itens da lista de material escolar, renovação da matrícula e primeira mensalidade.

Em relação aos livros e cadernos, a primeira regra é pesquisar bastante e ficar com o menor preço. Faça uma boa pesquisa online e compare as condições de pagamento com as oferecidas pelas lojas de sua cidade. Simule a compra de todos os itens em um só varejista — em geral, há a possibilidade de descontos maiores.

Para compras pela internet, você tem a possibilidade de usar o cartão de crédito virtual.

Sobre parcelamento, a regra é a mesma: tem sobra orçamentária e o desconto é realmente bom? Vai fundo. Caso contrário, divida a fatura no cartão de crédito.

A renovação da matrícula e mensalidade escolar, por sua vez, precisam ser negociadas. Geralmente, os valores desses itens sofrem reajustes anuais — e como a troca de colégio às vezes é traumática para os filhos, os pais tendem a mantê-los na mesma instituição.

Mas não precisa ser assim. Em primeiro lugar, é possível negociar os valores, desde que você tenha uma boa posição para isso — por exemplo, se tiver três filhos matriculados ou se for um cliente antigo.

Sabe o que rende boas condições de matrícula? Alunos que se destacam em esportes ou participam de olimpíadas de conhecimento. Se esse é o caso do seu filho ou filha, não hesite em usar a carta.

Por fim, se a instituição permanecer intransigente, verifique outras na região com valores mais acessíveis. Não esqueça que, quanto mais cedo iniciar as conversas e buscas, melhores condições você encontrará.

Além de causar muitas dores de cabeça, as contas de início do ano podem se transformar em uma bola de neve pra quem não se prepara para pagá-las.

Espero que todos por aqui já estejam se planejando e quero saber de mais uma coisinha: quais são as contas que vocês priorizam no início de ano pra ficarem tranquilos nos meses seguintes? Me contem tudinho para batermos outro papo sobre isso depois, belê? :yellow_heart: